


É nesse território de instabilidade e descoberta que Pedro Prandini constrói sua linguagem. Mais do que um pintor, ele é um intérprete das forças que movem a matéria. Sua técnica é o ponto de encontro entre o gesto e a gravidade, entre a intenção e o acaso. A tinta não é apenas aplicada — ela acontece. Escorre, se mistura, respira.
Cada obra nasce como um ecossistema autônomo, onde cor, densidade e tempo se equilibram em uma harmonia sensorial. O espectador não contempla apenas uma imagem: adentra um campo de energia, uma geografia emocional que reflete a essência do próprio ato de existir.





A história da arte é um rio que flui entre experimentações e reinvenções. A técnica do derramamento, embora consolidada no século XX, tem raízes muito anteriores — desde antigas práticas de marmorização e pintura fluida. Mas foi com artistas como David Alfaro Siqueiros, Jackson Pollock e Helen Frankenthaler que o derramamento se tornou linguagem autônoma, símbolo de um gesto radical de liberdade.
A verdadeira explosão do derramamento, tornando-o sinônimo de um gesto pictórico radical, veio com o Expressionismo Abstrato americano, especificamente com Jackson Pollock (1912-1956). Conhecido como “Jack the Dripper” (Jack o Gotejador), Pollock levou a técnica a um nível sem precedentes a partir do final dos anos 40.
Ele espalhava telas enormes no chão e, com latas de tinta, bastões e gotejadores, derramava, respingava e gotejava tinta em um movimento coreografado e quase ritualístico. Sua abordagem, chamada de drip painting, eliminou o pincel tradicional e a distinção entre desenho e cor, criando composições dinâmicas onde a energia do artista e a física da tinta se fundiam em intrincadas redes de linhas e massas. Pollock transformou o plano horizontal do chão em seu cavalete, o que permitia uma interação física e gestual completa com a obra, convidando o espectador a uma nova percepção do espaço e do processo criativo.










